Por que o amor é a única coisa necessária em um casamento?

“Deus é intelecto, vontade, sumo bem e amor; Deus é todo o necessário.”
Art. 1º Do intelecto divino ao amor

Para entender o amor, devemos tentar obter um vislumbre do intelecto divino, e isto se dá por duas razões:
Primeiro que somente o ser que possui alma intelectiva é capaz de amar, pois esta confere o uso da razão, e, de acordo com São Tomás de Aquino, Deus é intelecto puro; segundo por que se diz que Deus é bom por ser ele, a causa primeira/causa de todas as coisas.
Portanto, tendo em vista que Deus é intelecto puro e a causa primeira, entendemos que Deus ama e é bom.

Art. 2º Da vontade dos seres e de Deus

Ora, já que podemos dizer que o intelecto é capaz de amor, devemos explicar como isto se dá.
Primeiro explicaremos que todo ser tende ao bem que lhe falta. De forma elucidativa, podemos entender que existem apetites naturais (apetite simples e vontade) da alma, assim os sentidos estão para os apetites como o intelecto está para vontade. Um exemplo são os animais, que através dos sentidos, utilizam o seu apetite (ex: olfato/visão) para se alimentar e garantir o que lhes falta. E, por apenas seguirem seus apetites simples, dizemos que são menos perfeitos do que nós, seres racionais. Entretanto, do mesmo modo se dá o intelecto que, através da vontade, procura sempre o bem que lhe falta. Este bem da vontade, nada mais é do que Deus – sumo bem -, e pode ser adquirido de forma deficiente, por exemplo quando visa apenas o bem de si e prejudica o próximo, ou quando o bem é travestido de coisas terrenas que não duram e nunca saciam, ao contrário de Deus que é eterno.
Portanto, todos querem o bem, assim como Deus, embora ele queira o bem de forma perfeita, sempre, enquanto a maioria de nós o procura de forma deficiente e afastada d’Ele, o que costumamos chamar de mal ou vício.

Art. 3º A vontade do bem é amar

Sendo Deus o princípio imóvel, querer o bem, para ele, nada mais é do que querer a si mesmo, logo ele encontra em si o que deseja e permanece em repouso. Todavia, por querer o bem da maneira mais perfeita possível, ele quer o bem de todos, desejando que todos encontrem Ele. Ora, segundo São Tomás de Aquino, amar é querer o bem, e todos desejam o seu próprio bem (amor próprio) – mesmo que de forma deficiente -, entretanto, de modo mais perfeito, podemos amar o próximo, que nada mais é do que querer o bem a outrem. Não é à toa que o segundo mandamento de Cristo é “Amar o próximo como a ti mesmo”.

Art. 4º Do casamento

Falando-se em casamento, fica claro que, se ambos entenderem o que é o amor e pô-lo em prática, o caminho da santificação estará ao alcance do casal. Portanto, aprendam a amar a si próprios buscando o caminho de Deus, que nada mais é do que o amor ao próximo. Ame-se amando Deus, e ame Deus, amando o seu cônjuge.

 

 

fonte: Suma Teológica – São Tomás de Aquino; Da Alma – Aristóteles; Metafísica – Aristóteles.